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segunda-feira, 8 de julho de 2013

Redução da quantidade de líquido amniótico - Oligo-hidrâmnio

 

O que é o líquido amniótico?

 

O líquido amniótico é aquele que se encontra dentro da bolsa onde está o bebê. O líquido amniótico envolve o bebê durante todo o seu desenvolvimento, dentro do saco amniótico, também conhecido como bolsa das águas. 


Volume de líquido amniótico no início da gestação


Volume de líquido amniótico no início da gestação

Volume de líquido amniótico na metade da gestação

Volume de líquido amniótico no final da gestação
 
Para que serve?


Esse líquido protege o bebê e é muito importante para o desenvolvimento de alguns órgãos, como pulmões e sistema gastrointestinal. 

Ao engolir esse líquido, seu filho vai completando o desenvolvimento desses órgãos. Isso também permite que ele se mexa dentro da barriga, promovendo o desenvolvimento de ossos e músculos, além de:

• Amortecer choques e movimentos bruscos;

• Impedir que o cordão umbilical seja comprimido, o que prejudicaria o fornecimento de oxigênio para o bebê;

• Manter uma temperatura constante dentro do útero;

• Proteger o bebê contra infecções.


Qual é a quantidade ideal de líquido? 

 

O volume de líquido amniótico vai aumentando com o decorrer da gravidez, e costuma chegar à sua quantidade máxima por volta de 34 a 36 semanas de gravidez. Nessa altura, você tem entre 800 ml e 1 litro de líquido dentro do útero. Depois disso, o volume vai diminuindo aos poucos, até o bebê nascer.

Volume de Líquido Amniótico
Tempo de Gestação

Volume de Líquido Amniótico
IG (sem)
Feto (g)
Placenta (g)
LA (mL)
% Líquido
16
100
100
200
50
28
1000
200
1000
45
36
2500
400
900
24
40
3300
500
800
17
Queenan (1991)

 

Como dá para saber quanto líquido tem dentro da barriga? 

 

Para medir a quantidade de líquido, é preciso fazer um ultra-som. Seu médico vai solicitar um se desconfiar de que a quantidade de líquido está abaixo da ideal. Veja alguns sinais de que isso pode estar ocorrendo:

• quando a mulher está perdendo líquido amniótico pela vagina

• quando o bebê está menor que o normal para a idade gestacional

• quando o médico consegue apalpar fácil o bebê pelo lado de fora da barriga

• quando a mulher não está sentindo o bebê
mexer com frequência

• quando a mulher já teve outro filho que nasceu pequeno para a idade gestacional

• quando a mulher tem
pressão alta

• quando a mulher está com diabete
s

• quando a mulher sofre de lúpus

Com a ultra-sonografia, dá para medir os bolsões de líquido em vários pontos do útero (o espaço entre o bebê e a parede uterina), e o especialista faz um cálculo que resulta no índice de líquido amniótico (ILA). No terceiro trimestre, o ILA deve estar entre 5 cm e 25 cm. Um índice abaixo de 7 cm é considerado sinal de alerta, e com menos de 5 cm pode fazer com que os médicos prefiram adiantar o parto. 

Índice de Líquido Amniótico
Moore &Cayle,1990
Moore &Cayle,1990


Poli-hidrâmnio relativo ILA= 250-300mm

Poli-hidrâmnio absoluto ILA> 300 mm

   Oligo-hidrâmnio relativo ILA= 20-80 mm

Oligo-hidrâmnio absoluto ILA< 20 mm

 

O que é oligoidrâmnio? 

Essa palavra complicada significa que você está com menos líquido amniótico que o ideal dentro do útero. Quando acontece o contrário, o excesso de líquido amniótico é chamado de hidrâmnios ou polidrâmnio. A redução no líquido amniótico não é tão rara: cerca de 8 por cento das grávidas têm oligoidrâmnio em algum ponto da gestação, normalmente no terceiro trimestre.

O bebê corre riscos por eu estar com pouco líquido? 

Uma insuficiência prolongada na quantidade de líquido amniótico durante a gravidez pode causar alguns problemas no desenvolvimento de seu bebê.

 Os problemas podem variar de acordo com a quantidade que houver diminuído e com a etapa da gravidez em que ocorrerem.

 Por exemplo, se acontecerem durante a primeira metade da gravidez, haverá maiores riscos de malformações, abortos espontâneos ou parto muito prematuro. 

As consequências para o bebê dependem da causa da redução no líquido, e se a quantidade está mesmo muito pequena. Pode acontecer em qualquer etapa da gravidez, mas é mais freqüente durante o último trimestre e não exige nenhuma providência, só um acompanhamento um pouco mais atento da gravidez. Não há sintomas específicos.

A maior preocupação quando há redução no volume de líquido antes do terceiro trimestre é que o crescimento dos pulmões do bebê seja prejudicado. Por isso, é provável que você seja submetida a ultra-sonografias com mais frequência para acompanhar o desenvolvimento do seu filho. A possibilidade de parto prematuro é outra preocupação. 

Pode ser, porém, que os médicos decidam que o bebê vai se desenvolver melhor fora do útero do que dentro, e resolvam antecipar o parto. É comum que, em casos de falta de líquido amniótico, o bebê esteja sentado, pois o líquido é que facilitaria a movimentação dentro do útero e o posicionamento de cabeça para baixo. 

As causas dessa complicação não estão determinadas ainda, mas costumam acontecer quando a gravidez se prolonga, já que o líquido diminui naturalmente quando o bebê já deveria ter nascido ou quando há algum problema no desenvolvimento.


O tratamento será determinado pelo médico, levando em consideração suas características e o que for melhor para você e para o bebê. Geralmente, recomendam-se repouso e beber muito líquido. É necessário um acompanhamento freqüente e detalhado da evolução do bebê e da quantidade de líquido amniótico. 

Uma forma de minimizar seus riscos é substituir o líquido perdido por outro similar. Esse procedimento é chamado de amnioinfusão. Se sua saúde e a do bebê estiverem em risco, provavelmente o médico tentará realizar o parto o mais cedo possível.

 

Por que o líquido diminui? 

Nem sempre a causa do oligoidrâmnio é conhecida. A diminuição do volume das águas é mais observada nos meses de clima quente, por isso os especialistas acreditam que ela tenha relação com a desidratação materna. Dessa maneira, seu médico vai recomendar que você tome muito líquido. Repouso e banhos de imersão também costumam ser recomendados pelos obstetras.


Existem outras causas específicas para a redução no líquido, e cada uma tem seu próprio tratamento. Conheça as causas mais comuns:

Ruptura parcial da bolsa

Quando há uma pequena abertura na bolsa, o líquido pode escapar. Pode acontecer em qualquer ponto da gravidez, mas é muito mais frequente perto do final da gestação. Às vezes a abertura se fecha sozinha e o líquido pára de vazar (por exemplo, quando a perda de líquido acontece depois de uma amniocentese.

O maior perigo dessa ruptura parcial da bolsa, além do oligoidrâmnio, é a entrada de bactérias, que podem provocar uma infecção. Assim, seu médico estará mais atento para qualquer sinal de infecção.


Problemas na placenta

Pode ser que a placenta não esteja produzindo sangue e nutrientes em quantidade adequada para o desenvolvimento do bebê. Quando os bebês são pequenos, produzem menor quantidade de urina, por isso os níveis de líquido amniótico ficam baixos.

Anomalias no bebê
Quando o líquido fica abaixo do normal ainda no primeiro ou no segundo trimestre, pode ser que haja alguma malformação interferindo na produção de urina pelo bebê. O médico deve pedir um ultra-som detalhado para verificar o desenvolvimento dos rins do bebê e do trato urinário, além do coração.

Síndrome da transfusão feto-fetal
Quando a mulher está grávida de
gêmeos idênticos e cada um tem sua própria bolsa, há entre 10 e 15 por cento de possibilidade de eles terem a síndrome da transfusão feto-fetal -- um bebê recebe mais sangue e nutrientes da placenta que o outro. Nesses casos, o gêmeo "doador" acaba ficando com menos líquido amniótico, enquanto o "receptor" fica com líquido em excesso.

Se você estiver grávida de gêmeos, terá que fazer ultra-sonografias com frequência para acompanhar os níveis de líquido amniótico e o desenvolvimento de cada bebê.

Medicamentos
Determinados remédios podem causar oligoidrâmnio. A medicação contra hipertensão à base de inibidores da enzima conversora da angiotensina (inibidores da ACE), por exemplo, afeta o funcionamento dos rins do bebê e deve ser evitada. Alguns remédios usados para combater a ameaça de parto prematuro também podem afetar os rins do bebê, assim como o ibuprofeno. Nunca use nenhum remédio na gravidez sem falar com o médico.


 

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